domingo, 26 de novembro de 2017

Educação moderna existe? Ou está para ser criada? É viável? É necessária?

Educação moderna existe? Ou está para ser criada? É viável? É necessária? 

Ao observarmos a evolução do homem no contexto do trabalho; ensinoaprendizagem, conseguimos perceber a evolução da própria sociedade, afinal são esses os instrumentos que nos possibilitam medir a capacidade de transformação humana. A tecnologia ajudou a humanidade a dar um grande salto; muitas possibilidades foram criadas, diversas inovações surgiram. Esse avançar tecnológico; científico e cultural são partes do processo de desenvolvimento do homem e marcam os avanços da civilização, por essa razão, é inegável que nos tempos atuais seja preciso repensar a escola e, consequentemente, a educação como um todo. Sobre a modernidade Pedro Demo (1993, p.21) explana que: 
"O desenvolvimento, além de moderno, carece ser próprio. Esta assertiva, entretanto, não estabelece apenas o reconhecimento de que educação faz parte do processo emancipatório (construção de um projeto de desenvolvimento), mas igualmente o reconhecimento de que a modernidade passa pela educação. Um dos fatores mais decisivos para as oportunidades de desenvolvimento é a produção de conhecimento próprio e sua disseminação popular (ciência e tecnologia), o que torna educação relevante não somente em termos políticos (cidadania), mas também em termos econômicos (produtividade). Assim, a educação é componente crucial não só para que o desenvolvimento seja próprio, mas também para que seja moderno."
 Essa discussão é fomentada também por Ivany Pinto (2011) que evoca as transformações vivenciadas nos últimos tempos e que implicam na construção de novos valores e concepções sobre a educação e formas de educar, ensinar e formar. Afinal, a escola de hoje é fruto da era industrial, e fora estruturada para preparar as pessoas para viver e trabalhar na sociedade, a mesma que agora está sendo chamada a aprender devido às novas exigências, portanto é de se esperar que a escola tenha que “se reinventar”, se desejar sobreviver como instituição educacional, assim como esse sujeito se adequar a essa nova realidade. Sabendo-se que na era moderna, a escola atende à demanda do trabalho por meio do currículo formando a mão-de-obra necessária para atender ao mercado e suas necessidades, torna-se evidente que a reformulação curricular se faz necessária e urgente. Hoje essa demanda não é da mesma mão-de-obra do passado, a configuração atual exige cada vez mais aprendizagem dos indivíduos, os processos se tornam mais seletivos e os requisitos mais altos. As novas tecnologias estão presentes e chegaram produzindo um alvoroço que pode ser explorado com um esforço conjunto em prol de estabelecer parâmetros que tornem, juntamente com todas essas ferramentas virtuais, a sala de aula um espaço dinâmico, virtual, e, principalmente crítico, científico e libertador, pois educar vai além dos limites das instituições. 
Os usos das novas tecnologias na educação vêm repercutindo a nível mundial, justamente porque as ferramentas e mídias digitais oferecem à didática, objetos, espaços e instrumentos capazes de renovar as situações de interação, expressão, criação, comunicação, informação e colaboração, tanto dos professores como dos alunos, possibilitando assim o desenvolvimento das competências cognitivas. A releitura da nova sociedade global inserida nessas novas tecnologias carece de criticidade em vista dos espaços e uso, muitas vezes, inadequados da virtualidade. É devido a essa situação que a educação tem que participar, não somente com uma função crítico-científico, mas também como elemento propulsor de mudança. Mudança esta que também precisa ter a atenção redobrada como comenta Mário Sérgio Cortella, no vídeo Política e Cidadania; pois precisamos parar, olhar e escutar o barulho das novas tecnologias e seus impactos na educação e na sociedade em geral. A educação é uma ferramenta de cidadania, de liberdade social, através dela e com ela poderemos mudar o contexto educacional brasileiro e mundial e com isso garantir a participação plena de todos, cabe lembrar Candau, Sacavino, Marandino e Maciel (1995, p.14) “Educar para a cidadania é educar para uma democracia que dê provas de sua credibilidade de intervenção na questão social e cultural”.
Essa excelência em competências e habilidades somente ocorre por meio de uma educação de qualidade, por isso o desafio à educação está lançado, como lembrado por Walfrido Neto (1995) não estamos aqui falando de profissionalização, mas de qualificação assegurando muito mais que o exercício do trabalho. Se com o avanço tecnológico e científico podemos conquistar novos horizontes, então temos com eles a possibilidade da educação de apoderarmos deles e mudarmos nossas estratégias pedagógicas para transformar e empoderar esse aluno. Possibilitar esta interpretação de construção do ser, é o papel que a escola atual deve ter, como aponta Nascimento (2011, p.325) acerca da necessidade que há de que a escola "[...] alargue o seu olhar, que não esteja ligada somente na avaliação, na frequência, nos conteúdos disciplinares, mas que olhe para projetos permanentes que envolvam o mundo do aluno, da família e seus responsáveis." 
Se a constituição social estiver pautada na normatização de princípios e regras que garantam os direitos da pessoa humana, oportuniza-se o avanço para o prospecto de cidadania que compreende o democratismo, ou seja, a real participação dos sujeitos sociais, portanto, dos indivíduos enquanto cidadãos. Vale, por conseguinte, ressaltar a questão do reconhecimento das necessidades sociais coletivas, bem como da implementação de políticas públicas e sociais que favorecem o cumprimento dos direitos humanos para uma sociedade na qual os indivíduos têm na cidadania o seu princípio emancipatório, comentada por Zuhlan (2014, p. 38-39): 
"[...] a escola e seus atores necessitam pensar sobre essa realidade social repleta de fragilidades, que precisam ser expostas e refletidas, a fim de que se possam implantar projetos e programas que estendam pontes entre as milhares de ilhas egocêntricas, que permitam visualizar para além da geografia individual. Contudo, esse ideal só será alcançado quando todos os agentes pedagógicos (escolas, igrejas, ONGs, Estado, empresas privadas, movimentos sociais, entre outros) forem capazes de pensar em uma pedagogia para os direitos humanos. " 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CANDAU, Maria Vera; SACAVINO, Susana Beatriz; MARANDINO, Martha; MACIEL, Andréa Gasparini. Tecendo a cidadania. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. DEMO, Pedro. Desafios Modernos da Educação. Petrópolis: Vozes, 1993. 
NETO, Walfrido Silvino dos Mares Guia. Educação para a cidadania. Comunicação e Educação. São Paulo, 31: 18 a 25, mai./ago. 1995. Disponível em: . Acesso em: 21/11/2017. 
NASCIMENTO, Ivany Pinto. A Pós-Modernidade: uma escuta sobre a nova cultura da Aprendizagem na Escola. In: Cadernos de Educação. FaE/PPGE/UFPel, (38), Janeiro/Abril 2011, pp. 315-333. Disponível em: Acesso em: 21/11/2017. Política e Cidadania com Mário Sérgio Cortella. Disponível em: Acesso em: 21/11/2017. 
ZLUHAN, Mara Regina; RAITZ, Tânia Regina. A educação em direitos humanos para amenizar os conflitos no cotidiano das escolas. In: Rev. Brasileira de Estudos Pedagógicos (online), Brasília, v. 95, n. 239, p. 31-54, jan./abr. 2014. Disponível em: Acesso em: 21/11/2017.

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