segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

avaliações externas e politicas publicas, qual será o X da questão


Avaliações externas e políticas públicas, qual será o X da questão na educação?

Ana Lúcia de Medeiros Couto Lima

No Brasil as relações corporativas entre união, estado e município são muito complexas. Sendo assim existe uma infinidade de políticas públicas que são ativadas por cada uma dessas instâncias quase que diariamente.
Definimos então como políticas públicas os modos pelos quais o Estado se relaciona com a sociedade respondendo as suas demandas principais, porém Vieira afirma que:
Quando no Brasil se fala em descentralização, depende de como a sociedade pode controlá-la. É possível admitir que, até agora, os grandes avanços no Brasil e na América Latina em geral não ocorreram por meio do direito local, mas por pressão social sobre o Estado.  (VIEIRA, 1998, p.13).
Todos os cidadãos da sociedade fazem parte e/ou convivem ativa ou passivamente ou ambas as coisas de uma política pública nessa realidade que estamos vivendo, pois é um fato emergente em nossa vida cotidiana nos últimos 40 anos. Ao abrirmos um jornal, entrarmos numa rede social ou simplesmente andarmos pela rua não passaremos, dois ou três minutos, sem ver, ler ou  ouvir a expressão que faltam políticas públicas para a resolução dos mais diversos problemas. Essa realidade nos invade não somente de fora para dentro, mas sim por estarmos inseridos em uma sociedade que grita por justiça social dentro dessa contemporaneidade.
Historicamente é importante apontar que o golpe militar de 64 foi uma complicação para o avanço das políticas públicas calando até certo ponto vozes como Paulo Freire Aníbal Teixeira Darcy Ribeiro que eram os  grandes ideólogos de uma nova educação que se queria no país. Passamos então, 21 anos com governo altamente centralizados e com baixíssima atuação de participação popular não podendo nesse período caracterizamos as ações de um governo dominante como políticas públicas.
Os anos de 1980 passam então a ser o cerne da abertura política onde organizações sociais e grande parte da população voltam a reivindicar seus direitos. Porém o liberalismo econômico demonstrou que através dos seus conceitos de livre jogo das forças de mercado não era possível alcançar a paz, a prosperidade e o bem-estar. Surge então o crescimento da presença dos estados nacionais democráticos na vida coletiva ( bens, serviços e regularização), ou seja aquilo que nos interessa a educação, a mobilidade pública a segurança. A Constituição de 1988 foi então de  extrema importância por restaurar o elemento cidadania, perdidos no período ditatorial, abrindo um novo trilho para os padrões de cidadania no Brasil.
E por falar em cidadania vamos então focar na garantia dos direitos educacionais e as políticas públicas que envolvem esse direito em sua plenitude. Para pensar uma escola do século XXI programar políticas públicas de ponta é muito difícil ainda mais quando falamos de políticas educacionais, o  MEC que é o principal ator nesse cenário, utilizou como uma das estratégias para auxiliá-lo a conseguir atingir uma maior parcela da sociedade com suas ações a implementação de meios de avaliação do rendimento escolar dos alunos, criando sistemas avaliativos como Saeb, Prova Brasil, Enem entre outros. A existência desses sistemas avaliativos criados em meados dos anos 90 mostra um avanço na educação brasileira, porém em relação aos países desenvolvidos ainda é muito pequeno. Ao compararmos os resultados das avaliações no início da década de 2000 e ao seu final, constataremos que a qualidade da educação no primeiro ciclo aumentou, porém a desigualdade educacional não. Partindo desse pressuposto podemos então valorizar esta estratégia de monitoramento educacional implantada pelo governo, pois a análise dos resultados auxilia ao planejamento e desenvolvimento de políticas públicas setorizadas para uma equidade educacional,mas isso não nos basta.
Acreditar que saber os índices de proficiência em língua portuguesa e o raciocínio lógico matemático irão resolver todos os problemas educacionais do Brasil é ter uma visão muito minimalista dessas lacunas de aprendizagens. Faz-se de suma importância uma investigação macro de todas as vertentes que levam os alunos a não atingirem os níveis satisfatórios de aprendizagem, como posso citar o exemplo de “Maria”, do filme Vida Maria, personagem fictício de uma situação real brasileira, onde nos mostra claramente  que a  falta de escolarização da mãe, tem muito reflexo na qualidade educacional do filho, ou seja, o problema não está somente em políticas educacionais para dentro da escola, e sim para a comunidade em seu entorno.
Considerações Finais
Precisamos criar mecanismo de localização dos geradores de problemas de aprendizagens escolares dentro e fora dela, fazer um raio X completo da situação e não somente focado nos saberes dos alunos, ai sim poderemos implantar políticas publicas de qualidade. Tanto o governo tem que contar com as boas avaliações de suas políticas para poder planeja-las como a sociedade tem o direito de saber como é empregado o recurso público com a aplicabilidade das mesmas, pois somente pagar para executar e não aproveitar exiguamente seus resultados, não levará a solucionar nada.
As avaliações, para serem realmente um vetor para políticas públicas eficazes e substanciais, necessitam ser além de universalizadas, como já existem, também setorizadas, como é o caso do SARESP, pois assim pontuariam problemas mais específicos de cada região. Aprofundar o conhecimento em políticas públicas é também conhecer e analisar algumas políticas de educação que agregam saberes a essa temática complexa, pois são ciências distintas  que juntas trabalham de forma interdisciplinar para um melhor desenvolvimento integral da sociedade.
Referencias
PERONI, Vera Maria Vidal. Políticas Públicas e Gestão da Educação em Tempos de Redefinição do Papel do Estado. Disponível em: <http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo5/organizacao_gestao/modulo1/pol%EDticas_publicas_e%20gestao_da_educacao_veraperoni.pdf >. Acesso em: 4 o nov. 2017
RAMOS, Márcio. Vídeo Vida Maria. Disponível em: Link:<https://www.youtube.com/watch?v=yFpoG_htum4>.
VIEIRA. Evaldo. O Estado e a sociedade civil perante o ECA e a LOAS. Serviço Social & Sociedade, São Paulo, n. 56, p. 9-23, mar. 1998. _____. A política e as bases do direito educacional. Cadernos Cedes, Campinas, n. 55, p. 9-29, nov. 2001.




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